Da telona para a telinha
Por Leonardo Esteves
“Os Normais – O filme” , um campeão de bilheteria em 2003, passa no Supercine, às 23:05. Oriundo da extinta série de TV homônima,o filme ganhou uma continuação recente nos cinemas. Terminada em 2003, ano que consagrou o produto com o lançamento do longa-metragem nas salas de cinema, a série contava as “aventuras” de Rui e Vani, – um casal que, a julgar pelo nome, é normal.
E qual é a graça em assistir a um casal normal? Confesso que não sei! E talvez os próprios criadores não saibam bem. Mas muita gente parece saber porque a série era um sucesso e os filmes, idem.
O programa não durou muito (apenas dois anos) se comparado com medalhões como “A Grande Família” e “Sai de Baixo” – este último inclusive lançou uma das roteiristas de “Os Normais”, Fernanda Young, que veio a adquirir uma carreira posterior vinculada a sua imagem e que culminou no que talvez seja hoje a pior coisa da TV paga, “Irritando Fernanda Young”. Completamente anormal. E talvez a série tenha durado pouco porque não tinha muito pra onde ir, o que dizer e, acima de tudo, o que ser.
“Os Normais” não podem ser normais por serem representados por dois humoristas que, aos olhos do público médio, não é normal. E a graça, teoricamente, começaria mesmo aí. Uma música bem popularesca, um ícone do gênero brega, ilustra bem o espírito “normal”. Uma música que talvez os normais por trás “dos normais” não escutem. Para o público médio, não precisou mais do que isso. É ele quem talvez escute a música brega e é ele que é normal, mas queria ser um normal famoso.
A passagem da série de TV para o cinema foi sintomática. E foi mesmo com “Os Normais” no cinema que vimos uma pobreza visual gigantesca (tanto na cultura de imagem que falta ao diretor, na composição dos planos, mise-en-scène, etcs, quanto na forma de captar o filme, com câmeras que funcionam para a TV, e não para o cinema).
E hoje é absolutamente “normal” assistirmos em outras transposições como a já citada “A Grande Família”, sérios problemas técnicos: som ruim, fotografia péssima; e estruturais: roteiros “qualquer coisa”, direção de atores no piloto automático. Mas não vamos perder de vista que “A Grande Família” é uma verdadeira obra-prima comparada com “Os Normais” (na TV e no cinema também).
Com isso, podemos dizer que “Os Normais” é um produto fidelíssimo ao nome. É mesmo normal nos dias de hoje (tanto a série quanto o filme, o que sustenta o plural do título) assistirmos a esse tipo. E fidedígno também. Merece o nome que tem, é um verdadeiro e confiável mostruário das tendências que hoje caracterizam os meio audiovisuais.
E os tais normais têm uma nova chance de chegar ao patamar de “Os Normais”, afinal. Eles podem participar de grandes promoções temporárias como Big Brothers e afins. Podem durar até dois anos, como a série, mas dificilmente vão chegar aos cinemas. Serão o normal, e não os normais.